Troca de cartas no painel do leitor FSP

Ciência

"Parabenizo a Folha por abrir um espaço equilibrado para discutir a questão do uso de animais em pesquisas.
Concordo totalmente com a opinião da doutora Sônia Felipe ("Essa ciência não entrega a cura prometida", "Tendências/Debates", 10/11). Ao mesmo tempo, fico estarrecida com os argumentos apocalípticos e repletos de sofismas do doutor Luiz Eugenio Mello, publicados na mesma página ("Uma necessidade científica básica').
Já houve tempo em que a escravidão era considerada legal, moral e até ética. Depois passou a ser tolerável para, em seguida, se tornar ilegal. Hoje a escravidão é inconcebível. O entendimento sobre o uso de animais em pesquisas passará pelo mesmo processo.
O que defendo é que os representantes da ciência deixem, paradoxalmente, o obscurantismo de lado e utilizem métodos eficazes, modernos e alternativos ao uso de animais nas pesquisas. Isso é possível."
SILVANA ANDRADE (São Paulo, SP)



Pesquisa com animais

"Em resposta à leitora Silvana Andrade ("Painel do Leitor", 16/11) e aos que acreditam no não-uso de animais de laboratório, peço que forneçam algum meio prático e alternativo para estudarmos, por exemplo, o desenvolvimento embrionário in vitro.
Gostaria de saber também se algum filósofo, bioético ou "ecochato" sabe e compreende o que significa o desenvolvimento de novas tecnologias no campo da biologia do desenvolvimento, no processo de diferenciação celular, na neurofisiologia, no combate ao câncer, no combate ao HIV...
Estes são apenas alguns exemplos de situações em que são utilizados animais de laboratório.
Em vez de ficarem "fosforilando", essas pessoas poderiam fornecer e exemplificar metodologias alternativas para a pesquisa sem o uso de modelos experimentais."
PHILIP WOLFF, embriologista, doutor em ciências biomédicas pela USP (São Paulo, SP)


Pesquisa com animais
"No Painel do Leitor (17/11), o embriologista Philip Wolff criticou a opinião de uma leitora que acredita no não-uso de animais de laboratório. Desafiou-a a indicar outras alternativas metodológicas em substituição aos hodiernos métodos experimentais. É válida a observação do cientista, como também não deixa de ter certa razão a leitora, haja vista, segundo denúncias, haver maus-tratos nessas experiências científicas.
A verdade é que o homem não deveria buscar a solução para seus males físicos e anímicos usando a mente, o raciocínio, o intelecto, pois estes estão presos ao tempo e ao espaço. Este comportamento leva-o a atacar os efeitos e não a causa das doenças. A ciência avançou bastante, todavia ainda engatinha se comparada ao conhecimento espiritual."
RICHARD ZAJACZKOWSKI (Francisco Beltrão, PR)



Pesquisa com animais

"É lamentável que alguns representantes da comunidade científica não consigam pensar em desenvolvimento da ciência em conjunto com a ética. Lamentável também que um cientista como o dr. Philip Wolff ("Painel do leitor", 17/11) peça em público que a sociedade explique quais são os métodos alternativos ao uso de animais em pesquisas. Posso adiantar que existem centenas de técnicas eficientes, modernas e substitutivas ao modelo animal. O mundo precisa do avanço da ciência, e mais do que nunca de parâmetros éticos."
SILVANA ANDRADE (São Paulo, SP)

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